A nova fase da seleção croata começou com esperança, passou por sinais de alerta e rapidamente chegou a um momento de cobrança. Depois de três partidas sob o comando de Slaven Bilić, o nosso Vatreni ainda procura encontrar o equilíbrio entre a experiência de uma geração que marcou época e a necessidade de construir uma nova identidade competitiva.
O recorte dos últimos jogos mostra uma trajetória bastante clara: uma estreia promissora diante da República Tcheca, uma derrota para a Espanha que expôs algumas fragilidades e, por fim, o duro revés diante da Inglaterra, que transformou as dúvidas em uma discussão mais profunda sobre o futuro da seleção.
O próximo desafio, contra a Espanha em Split, chega justamente nesse contexto. Mais do que buscar uma simples vitória, a Croácia precisa mostrar que a goleada sofrida anteriormente foi um ponto fora da curva e que ainda existe uma base sobre a qual Bilić pode construir seu trabalho.
Uma estreia que reacendeu a esperança
O retorno de Slaven Bilić ao comando da Croácia começou da melhor maneira possível. Em Praga, o nosso Vatreni venceu a República Tcheca e apresentou alguns dos elementos que os torcedores esperavam encontrar nessa nova etapa: competitividade, energia e, principalmente, união.
A partida também reforçou a importância de Luka Modrić. O capitão continua sendo uma referência técnica e emocional para a seleção, justamente em um momento no qual a Croácia precisa fazer a transição entre gerações.
A vitória não significou que todos os problemas estavam resolvidos. O próprio cenário indicava que Bilić ainda precisava encontrar a melhor composição para o meio-campo e para a defesa. Mas havia um elemento fundamental: a Croácia parecia disposta a competir.
E isso, para uma seleção que construiu sua reputação internacional justamente sobre organização, personalidade e capacidade de resistir à pressão, era um ótimo primeiro sinal.
Espanha mostrou que a transição ainda está aberta
A partida seguinte, contra a Espanha, trouxe uma realidade diferente.
O nosso Vatreni sofreu um gol cedo, conseguiu reagir e chegou ao empate com Bruno Beljo, mas acabou derrotado. Mais importante do que o resultado, porém, foram as dificuldades apresentadas durante a partida.
A Croácia teve bons momentos, inclusive conseguindo escapar da pressão espanhola em algumas situações por meio de Mateo Kovačić e das mudanças de lado com Ivan Perišić. Mas essas boas fases não foram suficientes para transformar a atuação em um desempenho consistente.
O problema ficou evidente principalmente na organização defensiva. A equipe permitiu que a Espanha recebesse a bola em zonas perigosas e teve dificuldades para controlar a partida depois de alcançar o empate.
Foi um primeiro alerta para Bilić: contra seleções de alto nível, não basta ter jogadores capazes de produzir bons momentos. É preciso transformar esses momentos em uma estrutura coletiva capaz de sustentar 90 minutos.
Inglaterra: quando o alerta virou cobrança
Se a derrota para a Espanha apresentou problemas, o confronto com a Inglaterra expôs todos eles de uma só vez.
A Croácia sofreu uma goleada pesada em Rijeka e já estava em desvantagem significativa no intervalo. Harry Kane e Bukayo Saka marcaram duas vezes cada, enquanto Jude Bellingham, Anthony Gordon e Morgan Rogers também participaram do placar inglês.
Mas talvez o mais preocupante não tenha sido apenas a quantidade de gols sofridos.
O que incomodou foi a ausência de características que tradicionalmente associamos ao nosso Vatreni: competitividade, agressividade, controle do meio-campo e capacidade de suportar momentos de pressão.
A própria análise de Bilić apontou que a Inglaterra não havia apresentado uma surpresa tática. O problema, segundo o treinador, esteve principalmente na energia e no comportamento da equipe. A Croácia perdeu duelos, perdeu confiança e, consequentemente, passou a errar mais tecnicamente.
O contexto físico também pesou. A comissão técnica citou a sequência de três partidas em sete dias, jogadores sem ritmo regular em seus clubes e uma virose que atingiu parte do grupo. A imprensa croata, entretanto, cobrou mais: esses fatores podem explicar parte do desempenho, mas não justificam completamente a passividade apresentada em campo.
O que Bilić precisa encontrar agora?
Depois desses três jogos, algumas questões aparecem como prioritárias para a seleção croata.
A primeira está na defesa. A comissão técnica ainda precisa encontrar uma dupla de zaga mais segura e estabelecer funções mais claras para os jogadores do setor.
Outra questão é o meio-campo. A saída de Marcelo Brozović deixou um espaço importante na estrutura da equipe. Modrić e Kovačić continuam sendo jogadores tecnicamente diferenciados, mas a discussão agora é como protegê-los para que possam exercer suas principais características sem deixar a defesa excessivamente exposta.
Também existe uma discussão sobre Petar Sučić e Martin Baturina, especialmente sobre como aproveitar melhor suas características ofensivas e de chegada ao ataque.
Por fim, está a gestão do elenco. A Croácia precisa encontrar um onze mais estável, principalmente em partidas contra adversários de primeiro nível.
E Modrić?
É impossível falar sobre o futuro da Croácia sem falar de Luka Modrić.
O capitão apareceu justamente no momento mais difícil para assumir novamente seu papel de liderança. Depois da goleada para a Inglaterra, Modrić foi extremamente duro ao avaliar a atuação e deixou claro que a Croácia pode perder para uma seleção melhor, mas não daquela maneira.
Antes do confronto seguinte, o capitão também afirmou que o grupo precisava mudar em diferentes aspectos: abordagem, união, empenho e agressividade.
Mais do que um discurso de um veterano, a postura de Modrić representa uma espécie de ponte entre duas Croácias: aquela que alcançou os maiores resultados de sua história e a que agora precisa construir seu próximo ciclo.
E talvez essa seja uma das principais perguntas desta nova era: até onde o nosso Vatreni consegue avançar sem depender exclusivamente do brilho de Modrić?
Abaixo, no vídeo compartilhado no Instagram oficial da seleção, Luka Modrić adota um tom de reação e confiança, sem minimizar o resultado sofrida. A mensagem central é que a Croácia precisa mostrar outra postura, recuperar a união e voltar a representar o orgulho dos torcedores.
“Tenho certeza de que vamos mostrar uma Croácia completamente diferente, que deixará os torcedores orgulhosos.”
O que esperar do nosso Vatreni?
É cedo para falar em reconstrução completa. Também seria precipitado concluir que a goleada para a Inglaterra representa definitivamente o fim de um ciclo.
A Croácia ainda possui uma base experiente e talentosa, com nomes como Modrić, Kovačić, Perišić e Joško Gvardiol. Além disso, a vitória em Praga mostrou que existe capacidade de competir fora de casa.
O que Bilić precisa demonstrar agora é que consegue transformar essa matéria-prima em uma equipe novamente reconhecível.
A expectativa mais realista para os próximos jogos não é uma transformação instantânea. É observar sinais concretos de evolução: uma Croácia mais agressiva, mas organizada; um meio-campo melhor protegido; uma defesa com funções mais estáveis; e, acima de tudo, a recuperação daquela identidade competitiva que fez o mundo aprender a respeitar o pequeno país do Adriático.
A partida contra a Espanha em Split, portanto, ganha um significado especial.
Depois da esperança de Praga e do choque de Rijeka, o nosso Vatreni terá a oportunidade de responder dentro de campo.
Não se trata apenas de apagar uma goleada.
Trata-se de mostrar que a Croácia continua sabendo quem é.
E, para nós que acompanhamos essa seleção com paixão, talvez seja exatamente isso que mais importa neste momento: ver novamente o nosso Vatreni entrar em campo com personalidade, coragem e a disposição de lutar por cada bola.
A nova era de Bilić ainda está apenas começando. Mas a partir de agora, cada jogo será também um teste para saber se a Croácia conseguirá transformar a crise em combustível para um novo ciclo.
Ajmo, Vatreni! Ajmo, Hrvatska!







